A FundMed promoveu mais uma edição da série “Tabu das Cores” dedicada ao Novembro Azul: mês de conscientização sobre a saúde masculina, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce das doenças da próstata.
Com o tema “Próstata: o que você deve saber sobre ela”, a live contou com a participação do Prof. Dr. Milton Berger, Professor Associado de Urologia da UFRGS. O palestrante possui Doutorado e Mestrado em Cirurgia/Urologia pela UFRGS, aperfeiçoamento no Hôpital Necker (Université), atuação no Programa de Cirurgia Robótica do HCPA e HMV e é Membro Titular da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina.
Logo na abertura, o palestrante destacou que o Novembro Azul é uma campanha ampla, que envolve a saúde masculina como um todo — mas que a próstata é um dos pontos centrais da discussão.
“Novembro Azul envolve a saúde masculina em geral, mas a próstata é um dos pontos mais importantes.”
Ele reforçou que a próstata é um órgão fundamental do sistema reprodutor masculino, responsável por secreções que permitem a viabilidade e a movimentação dos espermatozoides.
O Dr. Berger explicou a função da próstata e detalhou como ela atua:
“A próstata é um órgão acessório do sistema reprodutor masculino, essencial para a viabilidade do esperma.”
O palestrante destacou duas das doenças mais comuns:
Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), que se desenvolve na zona de transição do órgão.
Câncer de próstata, geralmente localizado na zona periférica — região onde o toque retal consegue identificar alterações suspeitas.
Essa distinção anatômica é essencial para o diagnóstico e para a definição das estratégias terapêuticas.
O exame de PSA (Antígeno Prostático Específico) ocupa papel central no diagnóstico precoce do câncer de próstata.
“O PSA é uma proteína que alterou a detecção do câncer de próstata.”
O Dr. Berger explicou que o PSA pode se elevar por diversos motivos não relacionados ao câncer, como: prostatite, hiperplasia benigna, toque retal recente, atividade física intensa (como pedalar), ejaculação.
Por isso, recomenda-se evitar ciclismo e relações sexuais 2 a 3 dias antes do exame, garantindo resultados mais precisos.
O palestrante destacou também a importância da ressonância magnética multiparamétrica, exame que auxilia na detecção de alterações suspeitas e reduz o número de biópsias desnecessárias ao indicar com maior precisão quais pacientes realmente precisam do procedimento.
A introdução do PSA na prática médica, no fim dos anos 1980, permitiu diagnosticar a doença em estágios mais iniciais, aumentando as chances de cura.
Segundo a explicação do Dr. Berger:
80% dos casos são detectados quando o tumor ainda está localizado.
15% já apresentam acometimento de estruturas vizinhas.
5% chegam ao diagnóstico com metástases à distância.
Ele reforçou que o câncer de próstata não é uma doença homogênea:
“O câncer de próstata não é uma doença homogênea; sua agressividade varia de paciente para paciente.”
Os tumores são classificados em cinco grupos de risco, o que orienta a decisão entre vigilância ativa, cirurgia, radioterapia ou, em casos avançados, terapias hormonais e quimioterapia.
A HPB é uma condição extremamente comum:
afeta cerca de 50% dos homens a partir dos 50 anos
chega a mais de 80% aos 80 anos
Os sintomas incluem jato urinário fraco, esvaziamento incompleto da bexiga e vontade de urinar com frequência. O impacto na qualidade de vida pode ser avaliado por meio do score internacional de sintomas prostáticos.
O Dr. Berger explicou que a progressão da HPB depende tanto de fatores não modificáveis (como idade e histórico familiar) quanto de fatores ligados ao estilo de vida, como obesidade, sedentarismo e doenças metabólicas.
Complicações como retenção urinária, infecções e cálculos vesicais também foram abordadas, assim como opções de tratamento medicamentoso e cirúrgico — cada uma com seus potenciais efeitos colaterais, que devem ser ponderados individualmente.
Durante a live, foram discutidos:
Finasterida, utilizada para queda de cabelo e também em doses maiores para HPB.
Tadalafila, que pode beneficiar pacientes com hiperplasia benigna.
Anabolizantes, que podem causar atrofia testicular e desregulação hormonal.
Reposição de testosterona, que não mostrou aumento significativo no risco de câncer quando indicada para quem realmente possui deficiência hormonal.
O Dr. Berger reforçou que o câncer de próstata não apresenta sintomas em seus estágios iniciais. A detecção precoce depende de exames regulares:
PSA a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco
Intervalos maiores ou menores conforme avaliação individual
Exame disponível pelo SUS nas unidades de saúde
O palestrante destacou estudos que associam padrões alimentares ao risco da doença. Dietas semelhantes ao padrão mediterrâneo, com grãos, azeite e peixes, podem reduzir o risco, enquanto padrões ocidentais ricos em gorduras saturadas e sal tendem a aumentá-lo e favorecer condições metabólicas adversas.
👉 Assista à live completa “Próstata: o que você deve saber sobre ela”, disponível no YouTube:
https://www.youtube.com/live/Cr6biGx_fLQ